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Quinta, 03 de janeiro de 2013, 10h00 | Tamanho do texto: A- A+

DIÓGENES CURADO FILHO

Secretaria de Segurança Pública

LIDIANA CUIABANO
Assessoria/Sesp-MT

O ano de 2012 foi marcado por importantes projetos na área da segurança pública em Mato Grosso, como de prevenção e repressão às drogas, segurança nas escolas, investimentos e reestruturação das unidades de segurança na fronteira, além do pontapé inicial em diversos projetos para a segurança durante a Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá. Em meio a essas ações, a Secretaria de Estado de Segurança Pública se destacou no enfrentamento a crimes como os assaltos a banco na modalidade que mais chama atenção da sociedade, o 'Novo Cangaço'. Nesta entrevista, o secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Diógenes Curado Filho, faz um balanço das atividades em 2012, falando sobre a importância dos trabalhos de prevenção e repressão executados pela Segurança no Estado, além de importantes projetos para a Copa do Mundo e as ações para 2013.


O êxito no enfrentamento aos assaltos a banco, na modalidade 'Novo Cangaço', foi um dos destaques da secretaria em 2012. Esse sucesso se deve a quais medidas?

CURADO:
Não podemos falar de êxito sem falar na prevenção. Evitamos muitos crimes de assalto a banco por conta de várias medidas que foram tomadas. Em 2011 tivemos um número grande de crimes voltados às instituições financeiras, em várias formas, como a caixas eletrônicos, bem como na modalidade sapatinho e, principalmente, aquela que chama mais atenção da sociedade que é conhecida como 'Novo Cangaço'. Em razão disso, no final de 2011 iniciamos um planejamento visando coibir toda prática voltada para a questão de roubos bancários. Foi quando criamos o Plano Estadual de Prevenção e Repressão de Roubos a Banco, que conta com a participação de várias entidades públicas, inclusive dos setores de Inteligência como do Gaeco, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal. Percebemos que sem essa participação integrada da atividade de Inteligência não teríamos êxito no enfrentamento a esse tipo de problema. E em 2012, com base no plano que foi criado, conseguimos êxitos, principalmente no segundo semestre do ano. No crime ocorrido no município de Comodoro, por exemplo, tivemos uma participação forte da Polícia Federal, da Inteligência da Polícia Civil e Gaeco, além da atuação da Polícia Militar, que ficou por mais de 30 dias consecutivos na mata em busca dos criminosos. E devido a esse trabalho integrado reduzimos em 64% os assaltos a banco em 2012 em relação a 2011, sendo 37% de redução na modalidade 'Novo Cangaço'. 

Então o trabalho de prevenção foi fundamental nesse combate?

CURADO: O que a sociedade viu foi a repressão, esse enfrentamento. Mas fizemos muito na parte da prevenção. A forma como atuamos nos municípios levou a prisão de quadrilhas antes que elas agissem. E para esse trabalho de enfrentamento contamos com um corpo policial e uma estrutura condizente para buscar um resultado de sucesso. Temos três aeronaves no Estado que foi um fator de excelente resultado para as nossas ações. Essas aeronaves nos permitiu chegar o mais rápido possível ao local do crime. Criamos também as forças táticas nas cidades regionais. Então, o crime ocorrendo, imediatamente essas equipes chegam ao local. E pelo Plano Estadual de Prevenção e Repressão de Roubos a Banco criamos cercos nos locais usados como rotas de fuga, dificultando a saída dos bandidos. Além do trabalho das polícias especializadas como o Ciopaer, Força Tática regionais e Bope, que trouxeram esse resultado positivo tanto na prevenção quando na repressão desses crimes. Os dois helicópteros que adquirimos há dois anos fez uma diferença muito grande, principalmente agora nessas últimas ações de assalto a banco. São investimentos qualificados que o Estado faz e que muitas vezes a população não vê, mas que tem um resultado muito positivo.

O Plano Estadual de Prevenção e Repressão de Roubos a Banco elaborado pela segurança de Moto Grosso é referência para outros estados? 

CURADO: Sim. Esse é um tipo de crime que vem sendo discutido no Colégio Nacional dos Secretários de Segurança Pública. Vários estados viram que essa forma de trabalho que utilizamos de enfrentamento aos assaltos a banco em Mato Grosso é positiva, e começaram a aplicar também. Rondônia, por exemplo, estava sofrendo muito com esse tipo de crime e procurou, com base no plano de Mato Grosso, coibir as práticas no Estado. Agora estamos avançando na questão da parceria entre os estados, por meio da atividade de Inteligência.

O ano de 2012 foi marcado pela expansão da Inteligência policial. Como essa forma de trabalho vem colaborando para as ações de segurança?

CURADO: A descentralização da Inteligência é um plano de governo. Ela é um setor estratégico de resultado, que trabalha principalmente na prevenção para que o crime não ocorra, direcionando os trabalhos da segurança pública. E para se trabalhar de forma organizada precisa ser feito um planejamento a longo prazo. Então, desde 2008, quando assumimos a Pasta, iniciamos um trabalho visando melhorar as atividades de Inteligência. Adquirimos equipamentos, capacitamos os profissionais da segurança pública e criamos a Lei do Sistema Estadual de Inteligência, que organiza esse tipo de trabalho. E essa organização foi muito preponderante para várias ações que tivemos de redução dos índices de criminalidade. O fato da Inteligência ser descentralizada ajuda no trabalho in loco, no repasse das informações que chegam em nossa central, para que possamos direcionar nossas atividades, evitando que o crime ocorra. Dentro desse contexto de expansão criamos também o Centro de Comando de Controle e Inteligência do Interior (C3i), que este ano foi inaugurado em Cáceres como projeto piloto para as demais cidades polos. É uma central semelhante ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), com os números de emergência (190, 193 e 197), porém com a Inteligência Estratégica, que trabalha com a informação; e a Inteligência Policial, que trabalha na produção de provas criminais. O C3i foi criado de forma estratégica em Cáceres, por ser uma região de fronteira, e será implantado em outras 11 regionais de Mato Grosso, o que vai nos auxiliar muito nas atividades de prevenção e repressão aos crimes.

O combate às drogas, em todas as suas vertentes, também foi foco da Secretaria em 2012, com o lançamento do Plano Estadual de Enfrentamento às Drogas. Como estão as ações?

CURADO: Fizemos esse plano antes do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, do Governo Federal, e agora vamos fazer uma adesão a ele para melhorar a estrutura no combate às drogas em Mato Grosso. O enfrentamento a esse tipo de crime não é voltado apenas para a apreensão, exterminar as bocas de fumo, que levam os jovens ao tráfico, mas principalmente na prevenção. E o Plano Estadual de Enfrentamento às Drogas veio nesse sentido, para prevenir e tratar o dependente químico. E para trabalhar essa questão precisamos envolver vários parceiros que compõe o plano, como as Secretarias de Saúde (SES), Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e Educação (Seduc). O Plano mostra um caminho a ser seguido, com várias ações. Temos um comitê que faz o acompanhamento dessas ações e estabelecemos metas para essas atividades de enfrentamento às drogas. Já fizemos várias ações, principalmente voltadas para questão dos dependentes químicos. Temos os pontos de cracolândia mapeados em Cuiabá e Várzea Grande, e em 2012 fizemos operações integradas para retirada desses dependentes das ruas, os encaminhando para tratamento. E essa ação será permanente. Tivemos um grande apoio do Tribunal de Justiça, Ministério Público, além da prefeitura das duas cidades nessas operações.

Uma das cobranças em 2012 foi a segurança nas unidades escolares. Como a secretaria resolveu a questão? 

CURADO: Tivemos sérios problemas em algumas unidades escolares, como homicídio, e isso é muito grave. Pensando nisso criamos, dentro do Plano Estadual de Enfrentamento às Drogas, o projeto Escola Segura, que é uma das medidas profiláticas da segurança pública para trabalhar na prevenção ao crime. Colocamos uma equipe nossa dentro da Secretaria de Educação que fez um diagnóstico das escolas mais problemáticas de Mato Grosso. Baseado nesse levantamento, fazemos um trabalho de Inteligência na unidade escolar. O profissional da segurança mantem um diálogo com os professores, orientadores escolar, para identificar os problemas da unidade e produzir um relatório. Com base nesse documento o policial é designado para identificar esses problemas e saber quais as medidas de prevenção deverão ser tomadas. Se o problema for tráfico de droga ou aluno envolvido com drogas, por exemplo, temos medidas para corrigir isso, seja com atividade de repressão, através da Delegacia Especializada de Repressão à Entorpecente (DRE), identificando e prendendo o traficante ou, no caso do dependente químico, fazemos encaminhamento para tratamento, visando um ambiente escolar tranquilo. E percebemos que após a implantação do projeto tivemos uma grande redução nos problemas dentro das unidades, principalmente voltados à criminalidade.

A Segurança foi contemplada em 2012, pelo Governo Federal, com mais de R$ 17 milhões para investimentos na segurança na fronteira. Como a verba será aplicada?

CURADO: A Estratégia Nacional de Segurança Pública para Fronteira (Enafron) foi o primeiro projeto de Segurança Pública do Governo da Dilma, que prevê investimentos na reestruturação das unidades de segurança da fronteira. Em 2012 Mato Grosso foi contemplado com R$ 4,5 milhões por meio do Enafron. O valor foi investido no Grupo Especial de Segurança na Fronteira (Gefron) e na Inteligência policial, com aquisição de novos equipamentos e veículos para o Centro de Comando de Controle e Inteligência do Interior (C3i). Também criamos um setor dentro da Polícia Rodoviária Estadual em Cáceres para a atividade de fronteira, com unidades móveis e viaturas para que a PRE possa dar apoio ao Gefron no patrulhamento das várias rodovias estaduais da região de fronteira. O restante do recurso, na ordem de R$ 13 milhões, serão executados em 2013 com destinação à estruturação das unidades policiais dos municípios de fronteira, com equipamentos de ponta, como rádios digitais, armamento e viaturas para garantir ações de combate mais qualificadas.

Como estão os projetos para a Segurança Pública na Copa do Mundo?

CURADO: A Secretaria se organizou muito em relação à Copa do Mundo. Por meio do evento vamos conseguir montar uma estrutura de segurança pública muito positiva que será um legado para a sociedade mato-grossense. Temos um indicativo da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos no valor de R$ 60 milhões para serem investidos na área da segurança pública em Cuiabá. Nossa principal obra é o Centro de Comando e Controle. Hoje temos 72 câmeras de videomonitoramento em Cuiabá e Várzea Grande e teremos pelo menos mais 200 até a Copa. No Centro de Comando e Controle irá funcionar o monitoramento, atendimento, despacho e sala de crise, que no período dos jogos estarão concentradas todas as entidades de segurança pública que vão agir e comandar a operação na rua, usando as câmeras e os meios de comunicação que serão instalados no Centro. Todo o trecho denominado como 'trecho FIFA', que compreende áreas como aeroporto, hotéis, centro de treinamento, fan fest e Arena Pantanal, terão 100% de cobertura das câmeras. Além disso estamos investindo em equipamentos, aeronaves e qualificação dos profissionais. Pensamos também para a Copa do Mundo na questão do turismo. Por isso criamos uma unidade da Polícia Militar no distrito de Bom Jardim, em Nobres, e estamos trabalhando a questão do policiamento turístico nas regiões de Chapada dos Guimarães e no Pantanal. Criamos o Regimento de Policiamento Montado, que é voltado para policiamento em multidão, e já adquirimos 30 cavalos. Iniciamos a construção do canil na região de fronteira, que vai auxiliar nas atividades policiais, e estamos adquirindo uma nova aeronave, o Caravan, que tem um diferencial de capacidade, podendo transportar maior quantidade de tropa, otimizando o serviço e a chegada dos policiais no local da ocorrência, além de ser uma aeronave de manutenção barata. Na questão de efetivo, incluímos recentemente mais 68 novos delegados que vão fazer toda diferença para a segurança pública. Com essa inclusão vamos reativar outro plantão da Polícia Civil em Cuiabá, para fazer um atendimento melhor à população; criar novas delegacias especializadas, além de melhorias na Delegacia Fazendária e Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO). Em 2012 inserimos também 1.200 policiais militares e agora temos a previsão de um concurso público para inclusão de quase dois mil profissionais da segurança entre policiais militares, civis, bombeiros e peritos técnicos para que possamos estruturar as nossas unidades.

Quais os projetos da Segurança Pública para 2013?

CURADO: O ano de 2013 será voltado para a execução dos projetos para a Copa do Mundo. Estamos desenvolvendo também um projeto das Áreas Integradas, trabalhando a compatibilidade de área. Onde existe um Comando Regional da Polícia Militar terá uma Delegacia Regional da Polícia Judiciária Civil. Serão regiões integradas, áreas integradas, circunscrição integradas. Vamos trabalhar em cima de metas de redução de índices. Já definimos os parâmetros e os indicadores para começarmos a trabalhar quanto deve ser reduzido em relação aos índices, principalmente em relação a quatro crimes: homicídio, latrocínio, roubos e furtos. Futuramente, através desse trabalho, vamos pagar os policiais nas áreas onde houver os melhores resultados. A intenção é aplicar o projeto a partir do segundo semestre de 2013.

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