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Quarta, 21 de agosto de 2013, 14h00 | Tamanho do texto: A- A+

Estevão e Rubens de Mendonça registraram nossa história. Para sempre

Por VINÍCIUS MASUTTI


Cuiabá-MT

Marcos Vergueiro
http://www.mt.gov.br//storage/1/webdisco/2013/08/02/400x300/bc7e91b077a395b1f534d4fb24b669a8.jpg

Adélia nos recebeu em sua casa numa dessas manhãs de sol cuiabanas com muita cortesia, como é comum em sua família. Miguel, seu marido foi quem recepcionou nossa pequena comitiva e nos convidou a entrar. Antes de qualquer coisa, Adélia pôs a mesa para um café da manhã muito saboroso e, só depois, iniciamos nossa prosa. Todo este ritual e gentileza são resquícios de uma Cuiabá antiga onde todos se conheciam e as casas estavam sempre abertas, coisa difícil nesses nossos dias.

 

O arquivo que Adélia guarda em casa é de uma preciosidade única. Mantém os cadernos de seu avô Estevão intactos, a não ser pela mão do tempo, que deteriora aos poucos as anotações também feitas a mão, assim como foi escrito “Datas Mato-grossenses” nos idos de 1900. Aliás, sua caligrafia é invejável até hoje. Para se ter uma ideia, o escritor Monteiro Lobato impressionado com a grafia de Estevão, levou uma carta que havia recebido do historiador para um estudo grafológico.   

 

  • Marcos Vergueiro
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  • arquivo família Mendonça
  • arquivo família Mendonça
  • arquivo família Mendonça
  • memória Secom UFMT

 

A história dos Mendonça é parte da história de Mato Grosso. Na verdade, a história de Mato Grosso é conhecida por conta desses homens, que escreveram e descreveram este estado da melhor forma que puderam e lutaram muito para que ela fosse conhecida no resto do país. Na mesa em que se espalhavam livros de antigas edições, alguns relançados recentemente, havia um porta-retratos com a foto de Estevão de Mendonça ao lado de Marechal Rondon. A fotografia não evidenciava tietagem. Os dois se conheciam bem e eram vozes importantes para a expansão do estado. 

 

Rubens, filho de Estevão e pai de Adélia, seguiu contando histórias, pois também era historiador, assim como o pai, porém era poeta. Poesia não estava entre os temas mais adorados de Estevão, que não votou em Rubens quando este tentava entrar para a Academia Mato-grossense de Letras, mas pude constatar em seus livretos, anotados a mão, que o que escrevia era, sim, poesia. Ele não dava a seus escritos este nome, ao contrário do filho. Rubens de Mendonça contou a história da literatura mato-grossense para o resto do país (ainda que o país a ignorasse) por meio de uma Antologia Bororo. Catalogou e dissertou sobre os mais remotos escritos criados neste estado. Rubens não tinha restrições para a poesia, mas era poeta crítico e só publicou o que achou relevante para a arte de Mato Grosso. Mais tarde, nos anos 30 criou junto com amigos a “Revista Pindorama”, que tinha por objetivo levar a poesia nascida nessas terras adiante, para que o Brasil todo pudesse conhecê-la, pois até então ela era ignorada. A revista deveria ser o estopim para um movimento literário estritamente mato-grossense, mas apesar de reconhecida não durou muito. 
 

Adélia guarda com muito carinho cada peça histórica que tem dos historiadores que teve como pai e avô, mas luta sozinha contra o tempo. As obras destes cidadãos (no melhor e real sentido da palavra) estão se perdendo no tempo, mas é preciso contar esta história.

 

Estevão disse certa vez, uma frase que (infelizmente) cabe bem aqui nesta história. Disse que “quem morre em Cuiabá, morre duas vezes”. Se referia à morte por esquecimento. Não há como negar que de fato isso acontece. Estevão de Mendonça hoje é nome de rua e de biblioteca. Rubens, de avenida e é apenas assim que os cuiabanos lembram dos homens que fizeram e contaram a história destas bandas.

 

Como Adélia bem disse, estes homens cumpriram sua tarefa e serviram o estado sem se servir dele. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Fotomontagem: Evandro Birello
http://www.mt.gov.br//storage/1/webdisco/2013/03/11/400x300/fd4b7596f34b3dc407578411c4f53f28.jpg

 

 

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