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Ribeirinho leva cidadania a locais de difícil acesso no pantanal mato-grossense

Edwaldo Costa | Marinha do Brasil

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Luís Domingos de Amorim, morador da comunidade de São Pedro de Joselândia, já havia perdido as esperanças de ter um registro geral civil, o tão necessário RG. Ele conta que já passou “muita vergonha na vida”, por apresentar a certidão de nascimento na hora de se identificar. Aos 49 anos, finalmente ele conseguiu a emissão do documento, graças ao projeto Ribeirinho Cidadão.

Lavrador, Luís foi um dos moradores das comunidades ribeirinhas atendidas pelas equipes do projeto, cuja etapa fluvial começou no dia 11 de fevereiro em Barão de Melgaço e vem percorrendo diversas localidades, como a de São Pedro de Joselândia, distrito de Barão.

“Na minha vida, foram centenas de pessoas que fizeram piadas de mau gosto comigo com a minha simplicidade e dificuldade de acesso ao documento. Meu medo era chegar, depois de adulto, para tirar o RG e levar uma bronca na frente de todo mundo. Mas como trouxeram este serviço na porta de casa, criei coragem e resolvi vencer este medo que muito me incomodava”, contou Luís, bastante satisfeito com a emissão da sua primeira via gratuita do Registro Geral.
 

Luís Domingos disse ainda que não sabe como a equipe do projeto conseguiu chegar até a comunidade de Joselândia com tantos serviços. “Agora, na cheia do Pantanal, as estradas estão tomadas pelas águas, estamos isolados, e embarcações grandes não chegam até nossa localidade. Estamos a quatro horas da capital. Não acreditei quando vi as lanchas chegando até a gente. É de emocionar a comunidade toda”. 
 
Além dos serviços de emissão e da segunda via do RG, foram oferecidos atendimentos médico, odontológico, jurídico, previdenciário, psicológico, aferição de pressão, exames, vacinação, doação de óculos, confecção do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), cadastramento do benefício Bolsa Família, CPF e certidões. Também foram feitas doações de materiais escolares, brinquedos, roupas, cobertores, toalhas e kits de higiene bucal.

Jesus Aparecido Dias, oftalmologista, há nove anos atende voluntariamente no Projeto. “Em todas as comunidades nossa equipe monta e desmonta a aparelhagem no local que for necessário. Aqui, o posto de saúde serviu como laboratório e conseguimos realizar normalmente os exames de vista e distribuir óculos a centenas de pacientes ribeirinhos. Poucos são os casos que não resolvemos, mesmo assim, encaminhamos a um laboratório em Cuiabá. Depois de pronto, os óculos são enviados gratuitamente aos ribeirinhos”.O médico Werley Peres disse que sempre gostou de fazer o bem. “Eu venho de família humilde. Quando eu era menor, meu pai enfrentava filas de postos de saúde para nossa família ser atendida. Alguns médicos só receitavam remédios e não faziam uma avaliação digna. Eu me entrego de coração aos meus pacientes, do mais humilde ao magistrado, da criança ao idoso”, conta Peres.

Joaquim Santana Rodrigues, de 102 anos, estava com um pouco de tosse e recebeu atendimento do primeiro-tenente Ganne, médico da Marinha do Brasil. “A gente se alegra com o cuidado que eles têm com a gente. Sou privilegiado, o doutor veio na minha casa, disse que estou bem e preciso continuar cuidando da saúde tomando as medicações em dia”.

Ainda em São Pedro de Joselândia foi realizado acordo referente à partilha de uma terra relativa a um sítio deixado como herança a seis irmãos, cuja desavença já se estendia por dez anos.

Pensando no conforto e na educação ambiental, roupas, meias e toalhas doadas pela Receita Federal, oriundas de apreensões por descaminho, estão sendo trocadas por lixo coletado pelos ribeirinhos. “É uma forma que incentiva a limpeza dos rios, conscientiza e orienta os moradores a combater a poluição hídrica”, disse Tatiane Guerra, assessora da Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
 

 
O projeto, que já concluiu a etapa terrestre, entre os dias 1º e 10 de fevereiro, segue na etapa fluvial até o dia 20 de fevereiro. Participam desta etapa o Navio de Assistência Hospital Tenente Maximiano da Marinha do Brasil e as chalanas Athenas, Oasis e Anaconda. No navio são oferecidos atendimentos médico e odontológico, além de distribuição de medicamentos para quem precisa. Na primeira fase foram atendidas comunidades rurais de Santo Antônio de Leverger, Juscimeira e Mimoso. Na etapa fluvial, estão sendo atendidos moradores das comunidades ribeirinhas de Barão de Melgaço e Poconé.
 
São parceiros da expedição a Defensoria Pública, Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Marinha do Brasil, Governo de Mato Grosso, Assembleia Legislativa (ALMT), Prefeituras, Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT), Ministério Público Estadual (MPE), Juizado Volante Ambiental de Cuiabá, Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Secretarias de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) e de Saúde (SES-MT), Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá e Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu).