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Servidor cria ferramenta para melhorar o aprendizado de papiloscopia

Tita Mara Teixeira | Politec- MT

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Pensando em facilitar o aprendizado das técnicas de classificação das impressões digitais, o papiloscopista Sulivan Cardozo desenvolveu um software que avalia o nível de precisão da identificação técnica. “A ideia surgiu na época em que eu fui aluno no curso de papiloscopia, em que a atividade de coleta da impressão e classificação era feita e avaliada na ficha de papel, que eram feitas repetidas vezes até a fixação da técnica. Foi a partir daí que pensei: eu vou desenvolver um software que faz esta avaliação de forma virtual. Anos depois, consegui realizar essa ideia, pensando nos novos papiloscopistas que adentrarem à Politec e nos colegas que estão afastados há muito tempo e esquecem as técnicas’’, afirmou Sulivan Cardozo, papiloscopista e criador da ferramenta.

Antes realizada no papel e tinta, a atividade agora é feita diretamente no computador. Basicamente, basta que o usuário informe os tipos fundamentais, numerados de 1 a 4, para que os sistema busque no banco de dados se a classificação está correta, conforme os padrões fornecidos.

A metodologia foi apresentada aos novos papiloscopistas que foram nomeados em março e passam pelo curso de formação na Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).  Durante esta semana, os servidores foram apresentados aos conteúdos que envolvem os elementos históricos e científicos da papiloscopia, antes de iniciarem os conteúdos técnicos, que abrangem os sistemas de classificação e subclassificação dos datilogramas.  

“Após estes conteúdos mais teóricos nós iniciamos estas atividades práticas com o auxílio do programa. É uma atividade didática para eles ganharem prática nos três níveis de classificação. A pessoa busca a informação com o instrutor e com o apoio de manuais de papiloscopia, estudos, para preencher as informações no software. A partir de então, o programa fornece uma porcentagem da quantidade que ele acertou’’, explicou Sulivan. De acordo com o professor, o primeiro nível de classificação exige um mínimo de 60% de acerto para um resultado satisfatório na atividade didática.  

O servidor ingressou na Politec há 18 anos e está lotado na Gerência de Plantão Integrado, nas dependências do Instituto Médico Legal há cinco anos, onde realiza a identificação de cadáveres em diferentes condições de putrefação.

Além deste software de aprendizado, o papiloscopista criou outro programa que é utilizado na identificação de cadáveres. Para a melhoria das atividades, ele desenvolveu um programa com o auxílio da ferramenta de edição de imagens GIMP, que possibilita a marcação das minúcias e pontos coincidentes da impressões digitais. 

“Antes a comparação era feita somente com as lupas. Durante o confronto pegava-se a impressão padrão e a comparava com outra coletada de um suspeito de crime, por exemplo. Era uma comparação que não possuía um arquivo para consulta ou confronto posterior, pois as marcações eram feitas visualmente. Com esta ferramenta, conseguimos melhorar a qualidade, fazer as marcações, sobreposições de imagens e também manter a imagem original. Possibilita resolver muito mais casos de forma rápida e eficaz, principalmente a identificação como carbonizados, afogados’’, explicou.

Sistema de Classificação

No sistema de Vucetich, adotado pelos papiloscopistas, é feito o arquivamento das impressões dos dez dedos das mãos do indivíduo para a classificação e arquivamento.

Essas impressões são coletadas e dispostas em uma ficha específica (datilograma) que contém em um dos lados dez campos correspondentes aos dedos, onde é registrado o tipo fundamental, o sub-tipo e a contagem das linhas de cada dedo respectivamente.

Curso de Formação

Com duração de 320 horas, o curso abrange as áreas criminal e civil da identificação técnica, apresentando os aspectos legais, teóricos e científicos da ciência papiloscópica.

O conteúdo trabalhado visa contribuir para a formação dos profissionais nas técnicas de individualização do ser humano da através das impressões papilares.

Durante o curso, espera-se que os servidores aprendam sobre os principais métodos de identificação e sistemas biométricos; conheçam as legislações referentes à identificação humana; definam os princípios fundamentais da papiloscopia; saibam diferenciar os termos indivíduos, pessoas, identidade, identificação e reconhecimento; identifiquem os elementos técnicos da papiloscopia nas mais diversas aplicações e capacitar os papiloscopistas para o desempenho pleno de suas atribuições.