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Empoderamento feminino é tema de debate institucional

Fernanda Nazário | Sejudh-MT

Fernanda Nazário/Sejudh
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A superintendente de Política para Mulheres da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Mariluci Delgado, participou na terça-feira (13.03), no auditório do Ministério Publico do Estado (MPE), de uma sala de debate sobre empoderamento feminino. O evento faz parte do "16º Março é Mulher", realizado pela Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Cuiabá (BPW).

Durante a discussão foram tratados diversos temas, entre eles, a coisificação da mulher; assédio no ambiente de trabalho; diversos tipos de violência; movimento feminista; independência financeira da mulher; como a educação contribui para o empoderamento feminino; igualdade de gênero; sonoridade e equidade.

“Os temas estão em pauta há muitos anos e por isso essa intersetorialidade é importante para a fomentação da discussão e a efetividade do empoderamento de todas”, além de ter diversos setores envolvidos na causa, Mariluci também entende como fundamental a participação dos homens na agenda. “A luta pelo direito da mulher é uma luta pelos direitos humanos, o que envolve toda a sociedade. A mulher valorizada e incluída, contribui por um enriquecimento social e econômico”.

Políticas eficazes

Outras personalidades que têm trabalhos na luta pela não violência contra a mulher, direitos da mulher e empoderamento feminino, também participaram da sala de debate. A juíza e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Amini Haddad, sugeriu a criação de políticas públicas com custo baixo, tendo em vista que, segundo ela, o Brasil não tem desenhado uma política que seja eficaz com relação à equidade entre mulheres e homens.

Um exemplo citado por ela de ação governamental que gerou resultado foi com relação ao cigarro. Na década de 80 era charmoso fumar, no entanto, o governo emitiu notas evidenciando os prejuízos que o cigarro proporciona para a saúde e isso conscientizou a população.

“E porque não fazer com relação a violência contra a mulher? Porque não inserir notas e legendas em algumas propagandas específicas que, por exemplo, coisificam o feminino, que de fato transmitem uma apropriação do corpo da mulher, o que a torna comerciável. Isso também é de interesso público e proporciona uma conscientização coletiva”, questiona Amini, que também coordena o Núcleo de Estudos Científicos sobre Vulnerabilidades, Direito e Gênero da universidade.

A promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica em Cuiabá, Lindinalva Rodrigues, foi a primeira profissional a aplicar a Lei Maria da Penha no Brasil, em 2006. Ela conta que a vulnerabilidade econômica da mulher não é mais o fator influenciador para a manutenção de um relacionamento abusivo e ainda explica qual é a frase mais ouvida no núcleo. “Elas chegam com frases semelhantes, dizendo que os companheiros avisam que se elas não forem deles, não serão de mais ninguém. Isso significa introjecção cultual, já que as famílias são diferentes”.

Participaram também do debate a defensora pública Rosana Leite, a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Jocilene Barbosa e a diretora do Instituto EcoGente, Sueli Bastista. O evento resultou em uma carta de intenções que ainda será elaborada e entregue aos postulantes de cargos representantes dos poderes Legislativos e Executivo.

A presidente da BPW Cuiabá, Zilda Zompero, diz que a organização tem desenvolvido ações voltadas para o empoderamento e empreendedorismo feminino em seus projetos. Ela destacou ainda que as convidadas são mulheres que historicamente tem se destacado na luta, não só pela igualdade, mas também de forma relevante pela equidade. “Gostaria que o tema não ficasse apenas na sala de debate, por isso vamos fazer esse documento”.